terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Monólogo

Já fui mais atencioso contigo, blog.
E hoje mal te checo...
Sendo eu que aqui me coloco, devo ser, portanto, a diferença.
Pouco assunto? bem... não é...
Digo eu, que só suspeito:
que trato o ouvido dos outros
com um carinho que eu tiro
de minha boca, que se cala...
E ainda inala as almas outras,
que, ardentes, 
tornam todos reluzentes
e no que pouco me contento
sopra um vento,
abafado e sufocante
que amarra meu instante,
e leva à todo o abatimento...


mas aqui vai um qualquer:
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- Agora arde em mim o de sempre. Já exalo aquela essência escura e fétida que me toma como áurea apropriada... ou face; ou como minha simples e dolorida explicação.
Sou assim, tão avesso? Tão sombreado, mesmo aberto? Jogado às luzes, que titubeiam, e então piscam, logo quando as quero...?
- Explicação? Essas são perguntas, meu caro.
- Pois então. Quer mais que isso? Que amargura outra que a do não saber... e veja!... a do não saber ter!! Ainda soa estranho, mesmo após tantos anos... Quem tem não sente? Uma roupa na pele, um cheiro por perto... seu amor desperto naquele peito?...
- Ora, da roupa eu entendo; do cheiro, é lógico. Mas o que faz o amor nessa coisa de explicações? Me faz pensar que também toca e cheira a roupa e o perfume por todos...
- Pois claro que não,  é impossível.
- Pobre homem... está mesmo perdido...
  Afinal, de onde vem? Vejo que anda há muito, está todo escorrendo!
- Vim de longo tempo sumido (aos outros). À mim, estive em guarda à um corpo já sepultado. Solitário, dei sequência ao velório... senti-me responsável pelo corpo que jazia...
- E por que? Já não sabe que, tendo a tampa acomodada, não há volta? O que pensou?
- Chama isso de pensar? Já não penso há um bom tempo. Se tenho apertos no peito, já não sei se isso é pensar... e só tenho apertos no peito...
- É sempre assim, enigmático?
- Te agrada me jogar na cara as fraquezas?
- Nada fiz...
- Por que me notou?
- Pareceu-me abatido...
- E assim estou. Nunca esteve?
- Estou agora. Esqueceu que falas sozinho, seu idiota?

5 comentários:

  1. Tudo tem um significado...

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  2. O significado do texto é a minha vontade de boa expressão aliada às vivências passadas. As vivências, nesse caso (texto), são coadjuvantes - pois minha intenção foi apenas exprimir o que conheço bem.

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    1. Nas busca irreal do real, vivemos a loucura como o refúgio de não conseguirmos jamais nos adaptarmos à normalidade.

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    2. gostei!!

      de fato, a busca assídua por adequação é estúpida, visto que a 'normalidade' não pode ser 'normatizada' - pois como é comum o esbarro com a pluralidade de opções e maneiras!...

      a delicadeza da questão encontra-se na ânsia pela aceitação do que é genuinamente nosso - muito porque sabemos da dificuldade em aceitar o que não é...

      estamos diluídos em um oceano de gostos. Mas como lidar, se somos, cada um, nosso próprio habitat supra possível?

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