Ora, então é isso? Nada além do que sempre suspeitei, mas que pouco considero? Ou sequer dedico tempo à causa...?...... E por isso a indiferença?! Por tratar como uma crença, que me chama a atenção, mas não me afeta? Ou que pouco em mim desperta o que venha da vontade???
Não precisa prolongar o que dizes pelo ensaio... Eu sei bem o que fazer e não lhe devo atenção. Deixe meus partidos e mova-se com os seus. Não são meus os filhos teus...
Ora, venha cá, também não me leve tão à mal!... Não te passo para trás, apenas quero chegar muito à frente, e por isso às vezes te perco de vista.
E, quer saber? São mentiras quando digo que eu tenho algum domínio, ou ao menos faça ideia do que deva acontecer! Por esse lado, não deveria já tê-lo feito? E empregado nisso todo o meu suor?
Mas sei bem do que sou capaz. E, tão importante, também do que não. Pois vantagem de enxergar não poder é notar que são tão poucas coisas!... e se aninham em espécie, sendo todos muito parecidos e excêntricos perto do que temos em mãos com a qualidade de possível.
E esses sim, são tantos!! Verdade que alguns mais difíceis que outros, mas na primeira consulta ao seu eu indagador já tens alguns caminhos possíveis... Aí sim... levam anos ou segundos. Mas, deixando o tempo de lado, apenas levam...
E levam sim, pode ter certeza! Vira e olha pro que já foi feito! Temos algo além da curiosidade? Ou acha que navegantes de outrora carregavam apenas medo em caravelas? Sonhos e pesadelos, sim. E lá todos os pesadelos são ruins??
quinta-feira, 21 de julho de 2011
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Devaneio
Viu que nada do que queria se cumpria. Que, por menor ou maior sorte, tudo terminava longe do meio termo. Bem nessa hora, quando pensava ser radical para um dos lados, era corrigida então sua categoria: do julgado ser de valorosa imaginação para medíocre pelo que tu conhece (e por ser só isso). E depois de se ver boquiaberto com o que lhe acabara de ser possível existir, por mera questão de ter existido agora perante seus olhos, percebe que não foi nada além da sua primeira vez para aquilo, e admite não fazer ideia do que não acontece a si. Enquanto pensa nisso, em coisa tão vaga mas grandiosa, importante porém não demonstrada, é tomado pelo valor desse pensamento e se assusta, pois, se tem ele, em um momento qualquer, de um dia tão sorteado quanto esse, compreensão tão sublime do que foi, do que é, e do que pode ser o mundo, o que então é o mundo?
Entende agora porque ama as pessoas. É daí que tira o que é novo, sua maciça inspiração. E o que não lhe agrada ainda assim faz pensar no que o agrada. Pois o encaixe dessa peça, mesmo que não se queira ou lhe seja de tanta importância, é inevitável. E tudo o que assim é se mostra no mínimo curioso, de máximo incalculável.
No entanto, nota que os máximos lhe pertencem, e os mínimos aos outros. E quanto mais sabe, mais lhe dói. Ou se não dói, pesa. Ou se não pesa... não sabe. Não que seja ruim. Ainda assim prefere o cru ao fingido. Mas os sinais e os discursos agregam sentido a cada novo inesperado - e quantos não são eles!-, até que aos poucos tudo sai do implícito e se escancara logo em um palanque do comportamento, daí tirando todas as intenções possíveis, para o bem ou para o mal. E seu único desconforto autêntico é ter a vaga impressão de que o esforço natural, esse que acomete a todos menos à si, é o de teimar que as únicas coisas que importam são aquelas que ficam próximas à vista.
Se distrai com um estalar de madeira e não lembra de ter pensado qualquer coisa a mais aquele dia.
Entende agora porque ama as pessoas. É daí que tira o que é novo, sua maciça inspiração. E o que não lhe agrada ainda assim faz pensar no que o agrada. Pois o encaixe dessa peça, mesmo que não se queira ou lhe seja de tanta importância, é inevitável. E tudo o que assim é se mostra no mínimo curioso, de máximo incalculável.
No entanto, nota que os máximos lhe pertencem, e os mínimos aos outros. E quanto mais sabe, mais lhe dói. Ou se não dói, pesa. Ou se não pesa... não sabe. Não que seja ruim. Ainda assim prefere o cru ao fingido. Mas os sinais e os discursos agregam sentido a cada novo inesperado - e quantos não são eles!-, até que aos poucos tudo sai do implícito e se escancara logo em um palanque do comportamento, daí tirando todas as intenções possíveis, para o bem ou para o mal. E seu único desconforto autêntico é ter a vaga impressão de que o esforço natural, esse que acomete a todos menos à si, é o de teimar que as únicas coisas que importam são aquelas que ficam próximas à vista.
Se distrai com um estalar de madeira e não lembra de ter pensado qualquer coisa a mais aquele dia.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Cataclismo
Todo um lado do hemisfério em pura chama
que de longe no universo já se via.
Bem no dia em que matou o que se ama
a besta imensa, que no mar se escondia
Há um tempo que nenhum de nós proclama,
essa trama em silêncio se expandia
Tudo frio e insensível aos nossos mortos,
não se cansam de levar mais alguns corpos
E do lote em que o campo foi poupado -
não esperem redenção para uma parte -
Foram todos carregados pro outro lado,
já sabendo do destino do abate
Em um golpe tudo fora aniquilado
sem nenhuma resistência ou combate
Alastrando a toda gente o suplício
remetendo aos velhos tempos do início
Mas um fato que confunde a intenção
enlouquece os que sofrem a própria sorte
Uma dupla sobrevive à extinção
sem recurso, alimento ou transporte
E duvidam da sua própria conclusão
de que isto é melhor que a própria morte
Mas resguardam a restante sanidade
que lhes sobra a esta altura da idade
Dois antigos moradores desta terra
encorpados pelo ensaio prolongado
Esgotados com o susto que se encerra,
pelo embate, padeceram lado a lado
Com a dúvida que ao raciocínio emperra,
nesse monte de espaço desolado
O suspiro da linhagem da sua raça;
dois poupados pela impiedosa caça
E passava meia hora do estopim,
quando o céu se apresentou tempestuoso
Quando as águas se agitaram, e enfim
levantou um ser terrível e monstruoso
E nem muito precisou pra ter um fim,
o demônio tinha ataque virtuoso
Não há um só argumento que sustente
dois idosos dentre toda aquela gente...
E mantinham o caminhar esbaforido
como quem ainda tem do que correr
Mas no fundo sabem que já foi cumprido
o dever da besta, que o céu foi percorrer
Andam contra o campo há pouco destruído
de onde o sangue continua a escorrer
E deixando então de lado a sua pressa
um dos homens faz ao amigo uma promessa:
continua...
que de longe no universo já se via.
Bem no dia em que matou o que se ama
a besta imensa, que no mar se escondia
Há um tempo que nenhum de nós proclama,
essa trama em silêncio se expandia
Tudo frio e insensível aos nossos mortos,
não se cansam de levar mais alguns corpos
E do lote em que o campo foi poupado -
não esperem redenção para uma parte -
Foram todos carregados pro outro lado,
já sabendo do destino do abate
Em um golpe tudo fora aniquilado
sem nenhuma resistência ou combate
Alastrando a toda gente o suplício
remetendo aos velhos tempos do início
Mas um fato que confunde a intenção
enlouquece os que sofrem a própria sorte
Uma dupla sobrevive à extinção
sem recurso, alimento ou transporte
E duvidam da sua própria conclusão
de que isto é melhor que a própria morte
Mas resguardam a restante sanidade
que lhes sobra a esta altura da idade
Dois antigos moradores desta terra
encorpados pelo ensaio prolongado
Esgotados com o susto que se encerra,
pelo embate, padeceram lado a lado
Com a dúvida que ao raciocínio emperra,
nesse monte de espaço desolado
O suspiro da linhagem da sua raça;
dois poupados pela impiedosa caça
E passava meia hora do estopim,
quando o céu se apresentou tempestuoso
Quando as águas se agitaram, e enfim
levantou um ser terrível e monstruoso
E nem muito precisou pra ter um fim,
o demônio tinha ataque virtuoso
Não há um só argumento que sustente
dois idosos dentre toda aquela gente...
E mantinham o caminhar esbaforido
como quem ainda tem do que correr
Mas no fundo sabem que já foi cumprido
o dever da besta, que o céu foi percorrer
Andam contra o campo há pouco destruído
de onde o sangue continua a escorrer
E deixando então de lado a sua pressa
um dos homens faz ao amigo uma promessa:
continua...
terça-feira, 21 de junho de 2011
Desce cá dessa varanda
O meu mal é a empatia à sua fria simpatia, que me enfia pelo peito agonia e prazer!...
Quando a pele inanimada ignora o meu toque, mas o teu sorriso breve acalenta e faz crescer...
uma penca abandonada, em boa terra, adubada, mas pouco farta e sem semente, deixa fome aos que vêm em frente, e o pouco alimento dura até o amanhecer.
Mas persiste no existir, e prospera forte ali um punhado de palavras, friamente embaralhadas, trama turva que abala tudo meu que é afirmativo, com desprezo imperativo, que sacode e daí tomba o juízo, quase dando prejuízo, se não fosse o que eu quisesse!
Então venha cá! Desce! Me abraça agora!
Toma o corpo e me aquece! Esquece a próxima hora!
Eu não tardo a ir embora! Tenho já os dois pés cá fora,
mas não tenho aonde ir...
Deixarás morrer aqui?! Sem nem ter o que vestir? Nem um pano, nem a ti?
Então tomo a palidez que me cai pela cabeça e me conta a verdade...
não que a noite me entristeça... mas desisto que aconteça! Vou-me embora com a saudade...
E a lua acompanha os meus passos e minha manha, de sugar de um belo astro sua centelha de calor...
e fechando minha sorte, se esconde na montanha, me deixando na penumbra de uma noite incolor.
Mas quem nunca a si mentiu? Hoje sinto esse sabor... não aceitas como antes minha oferta tão gentil... sentes gosto de anil, no que era pra ser amor...
Quando a pele inanimada ignora o meu toque, mas o teu sorriso breve acalenta e faz crescer...
uma penca abandonada, em boa terra, adubada, mas pouco farta e sem semente, deixa fome aos que vêm em frente, e o pouco alimento dura até o amanhecer.
Mas persiste no existir, e prospera forte ali um punhado de palavras, friamente embaralhadas, trama turva que abala tudo meu que é afirmativo, com desprezo imperativo, que sacode e daí tomba o juízo, quase dando prejuízo, se não fosse o que eu quisesse!
Então venha cá! Desce! Me abraça agora!
Toma o corpo e me aquece! Esquece a próxima hora!
Eu não tardo a ir embora! Tenho já os dois pés cá fora,
mas não tenho aonde ir...
Deixarás morrer aqui?! Sem nem ter o que vestir? Nem um pano, nem a ti?
Então tomo a palidez que me cai pela cabeça e me conta a verdade...
não que a noite me entristeça... mas desisto que aconteça! Vou-me embora com a saudade...
E a lua acompanha os meus passos e minha manha, de sugar de um belo astro sua centelha de calor...
e fechando minha sorte, se esconde na montanha, me deixando na penumbra de uma noite incolor.
Mas quem nunca a si mentiu? Hoje sinto esse sabor... não aceitas como antes minha oferta tão gentil... sentes gosto de anil, no que era pra ser amor...
sábado, 11 de junho de 2011
Babe, since i've...!
bem.
Mostra 1:35 o celular. e isso é importante... não deixaria sem aviso, e certamente passaria batido pela maioria. quem lá se interessa por horário de postagem?
Mas e o que não nos traz a madrugada? nem é preciso tanta melancolia... o que não nos traz a própria noite, mais jovem e esperançosa? que tantos de sentimentos experimentamos!, sombreados por esse lado rebelde, desencanado - do dia - e... fotográfico, diria! já que a manhã traz logo o que ela é, e a noite o que fazemos dela. é um ponto de vista que me atrai... o de considerar o ser humano. ainda mais falando em luzes! como sabem disso os homens! criam magníficas luzes de todos os tamanhos e tons, e dão bela maquiagem às nossas cenas, a cada noite...
Vejam, por exemplo, minha condição atual. estou sentado no quintal da minha casa, e os vizinhos - obrigado pelo costume - deixam as suas todas apagadas, o que torna meu local deslumbrante, principalmente à luz de luares bem fortes que costumam bater por aqui. não é o caso de hoje. o céu está avermelhado, o que não deixa de ter seu charme. e eu deixei uma luz acesa bem ao fundo da cozinha, de forma que pegue apenas em meus pés. e o tom dessa luminária, um suave amarelado, harmoniza e se mistura com a luz natural, lembrando um degradê e me fazendo rir agora que eu estou percebendo...
A noite é uma condutora nata de ideias, e esse alto fluxo acaba por levar ao ápice todas elas. não há meio termo, apenas extremos e suas sensações. é onde os absurdos e os largados entram em pauta, passam a circular sem preconceitos, sem olhares incomodando, como se fosse a hora deles. e, de fato, pela noite circulam ideias de bestas a geniais, as apaixonadas e as excêntricas. o que é dormir a noite, para quem tem o que pensar? e o quanto mais não estou eu inspirado por esse cenário que vivo agora, do que estaria ao apenas escrever pela manhã, mesmo que ouvindo os pássaros?
Se perguntam por que não preferi dormir? se não, fica aqui mesmo assim, por que eu me pergunto... vim andando de uma festa próxima. preferi não ir longe pela noite fria e o dia de cansaço: por estar acordado - sintoma dos que levantam cedo. e, como dizia, vinha andando, e mesmo eu, sempre tão organizado, estava em confusão - meio que sem saber no que pensar ou mesmo fazer qualquer leitura. e recordo ainda de estar ouvindo since i've been loving you, do led, e - ao menos que me lembre ou, se mesmo lembro!, me é muito obscuro - poucas vezes ela toca em meus ouvidos sem me causar sensação alguma: e de tudo! e é engraçado pois essa beldade não é nem um pouco aceita por alguém que eu conheça, a não ser por mim e pessoas da internet. mas lá sabemos se essas pessoas de internet existem de verdade.......
Pois eis que since - olha! eu chuto dizer que é a minha preferida de todos os tempos... mas sou comedido - não me afetou! passou tão matematicamente como os passos que eu dava. e toda a interpretação, e o peso rasgado, e o baixo romanticíssimo dessa obra prima do rock - apenas passou pelos meus ouvidos...
E vi que tinha algo errado. me coloquei a pensar novamente, e acabei construindo toda essa postagem.
Agora, apenas escrevi.
Boa noite, vou dormir.
Mostra 1:35 o celular. e isso é importante... não deixaria sem aviso, e certamente passaria batido pela maioria. quem lá se interessa por horário de postagem?
Mas e o que não nos traz a madrugada? nem é preciso tanta melancolia... o que não nos traz a própria noite, mais jovem e esperançosa? que tantos de sentimentos experimentamos!, sombreados por esse lado rebelde, desencanado - do dia - e... fotográfico, diria! já que a manhã traz logo o que ela é, e a noite o que fazemos dela. é um ponto de vista que me atrai... o de considerar o ser humano. ainda mais falando em luzes! como sabem disso os homens! criam magníficas luzes de todos os tamanhos e tons, e dão bela maquiagem às nossas cenas, a cada noite...
Vejam, por exemplo, minha condição atual. estou sentado no quintal da minha casa, e os vizinhos - obrigado pelo costume - deixam as suas todas apagadas, o que torna meu local deslumbrante, principalmente à luz de luares bem fortes que costumam bater por aqui. não é o caso de hoje. o céu está avermelhado, o que não deixa de ter seu charme. e eu deixei uma luz acesa bem ao fundo da cozinha, de forma que pegue apenas em meus pés. e o tom dessa luminária, um suave amarelado, harmoniza e se mistura com a luz natural, lembrando um degradê e me fazendo rir agora que eu estou percebendo...
A noite é uma condutora nata de ideias, e esse alto fluxo acaba por levar ao ápice todas elas. não há meio termo, apenas extremos e suas sensações. é onde os absurdos e os largados entram em pauta, passam a circular sem preconceitos, sem olhares incomodando, como se fosse a hora deles. e, de fato, pela noite circulam ideias de bestas a geniais, as apaixonadas e as excêntricas. o que é dormir a noite, para quem tem o que pensar? e o quanto mais não estou eu inspirado por esse cenário que vivo agora, do que estaria ao apenas escrever pela manhã, mesmo que ouvindo os pássaros?
Se perguntam por que não preferi dormir? se não, fica aqui mesmo assim, por que eu me pergunto... vim andando de uma festa próxima. preferi não ir longe pela noite fria e o dia de cansaço: por estar acordado - sintoma dos que levantam cedo. e, como dizia, vinha andando, e mesmo eu, sempre tão organizado, estava em confusão - meio que sem saber no que pensar ou mesmo fazer qualquer leitura. e recordo ainda de estar ouvindo since i've been loving you, do led, e - ao menos que me lembre ou, se mesmo lembro!, me é muito obscuro - poucas vezes ela toca em meus ouvidos sem me causar sensação alguma: e de tudo! e é engraçado pois essa beldade não é nem um pouco aceita por alguém que eu conheça, a não ser por mim e pessoas da internet. mas lá sabemos se essas pessoas de internet existem de verdade.......
Pois eis que since - olha! eu chuto dizer que é a minha preferida de todos os tempos... mas sou comedido - não me afetou! passou tão matematicamente como os passos que eu dava. e toda a interpretação, e o peso rasgado, e o baixo romanticíssimo dessa obra prima do rock - apenas passou pelos meus ouvidos...
E vi que tinha algo errado. me coloquei a pensar novamente, e acabei construindo toda essa postagem.
Agora, apenas escrevi.
Boa noite, vou dormir.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Quando vens me visitar
Hoje não estou pra poemas,
mas também não tenho prosa.
gosto tanto do seu toque
e do jeito que ela goza
de gostar sem pretensão,
promovendo arrastão
de besteira tão macia,
que ao ouvido balbucia
e vai direto ao coração...
coração deficiente!
não se importa com a mente
do teu dono, que ao léu
é jogado até o céu, e, virado para cima,
com visão do azul que impera,
mal se nota em queda livre!
ou percebe o que lhe espera...
mas tua doce voz tempera
e me põe a remexer
basta só uns beijos teus,
mesmo uns meus em que tu ri
e já passo logo a crer
que o sentido oriundo
dessa vida, do tal mundo,
do meu desejo mais profundo,
se encontra ali...
o mais perto que eu já vi!
só eu sei dos meus delírios
quando vejo esses teus lírios!
que me tomam como um vício
e consomem, desde o início
e até tarde, esse meu ser!
e que muito pouco informa
que já toma a minha forma,
de uma forma tão potente
que não olho mais em frente
e só teus olhos quero ver
pois mesmo lá eu no meu canto,
tiras - sei lá de onde! - encanto
e meu corpo se esparrama,
me derruba e deixa de cama,
só pensando no querer
da mordida em teu pescoço!
ah!, amor!, se tu soubesse!
o que tens é um esboço!
chegaria até perto do osso!
se não fosse te matar....
pois dali sai um perfume
que não sei se é verdade...
porque sinto qualquer coisa
- nada fica na metade -
quando vens me visitar
mas também não tenho prosa.
gosto tanto do seu toque
e do jeito que ela goza
de gostar sem pretensão,
promovendo arrastão
de besteira tão macia,
que ao ouvido balbucia
e vai direto ao coração...
coração deficiente!
não se importa com a mente
do teu dono, que ao léu
é jogado até o céu, e, virado para cima,
com visão do azul que impera,
mal se nota em queda livre!
ou percebe o que lhe espera...
mas tua doce voz tempera
e me põe a remexer
basta só uns beijos teus,
mesmo uns meus em que tu ri
e já passo logo a crer
que o sentido oriundo
dessa vida, do tal mundo,
do meu desejo mais profundo,
se encontra ali...
o mais perto que eu já vi!
só eu sei dos meus delírios
quando vejo esses teus lírios!
que me tomam como um vício
e consomem, desde o início
e até tarde, esse meu ser!
e que muito pouco informa
que já toma a minha forma,
de uma forma tão potente
que não olho mais em frente
e só teus olhos quero ver
pois mesmo lá eu no meu canto,
tiras - sei lá de onde! - encanto
e meu corpo se esparrama,
me derruba e deixa de cama,
só pensando no querer
da mordida em teu pescoço!
ah!, amor!, se tu soubesse!
o que tens é um esboço!
chegaria até perto do osso!
se não fosse te matar....
pois dali sai um perfume
que não sei se é verdade...
porque sinto qualquer coisa
- nada fica na metade -
quando vens me visitar
quarta-feira, 25 de maio de 2011
A cura do desiludido
Essa postagem já seria a minha próxima. Mas foi motivada a sair logo da cabeça pela minha prima thaís, que pensa como eu e me fez ontem acreditar nas minhas próprias palavras.
_________________________
Que peça engenhosa! Que maravilha de design!... de desenho do comportamento! Essa obra iniciada há um tempo que nenhum de nós tem a propriedade de imaginar: nosso senso de compreensão, esse que consome o que se desenvolve à nossa volta - o velho, o novo, o estático, o que se agita em desordem, o harmônico, os sons, as frequências, o que é quente e o que é frio, e tudo mais que nos arranca o desinteresse, a indiferença; esse senso que é despertado, excitado a cada milésimo de segundo, fazendo perder o próprio segundo o seu poder de unidade, de referência de pequeno. Pois se em tão minúscula definição de tempo, já se perde a conta de mundos visitados, ou condições experimentadas (e por que não grandiosas, mas fugitivas natas, que se perdem tão rapidamente quanto surgem), o que não se faz com minutos, horas?!... -, esse senso não conta com estrutura para entender a sua própria construção! Ele mesmo é construído pela auto digestão, que renova sua propriedade de reflexão, mudando o mundo que se vê, que retribui e muda ele, que o muda de volta, e depois é a vez do outro!... e fica nisso... para todo o seu sempre! Esse senso que não está ligado – ele é ligado – e independe de memória ou informação passada: ainda que no fundo seja apenas isso, ele atua no presente, e apenas ali, no espaço do iminente, do estalo! Ou nem se deva dizer que chega a um estalo, aparenta ser menor que ele... e talvez nem se misture ao tempo!; mas ao menor instante se aprimora, desses incontáveis que nós vivemos. Esse é o instinto!
Ora, mas e a cura, onde? Pois a cura, o trato das patologias, é o seu conhecer. O saber mais, a quebra incansável de todos os elementos, até que sobrem fragmentos, mas ordenados: o sopro de clareza que ajuda a se apossar do sentido do todo. A construção é a origem da evidência. E só se fala em evidência, em ter poder sobre ela, com o mínimo de trato minucioso, paciente. E esse instinto, e a maneira como se infiltra e domina, o seu modo de operação, são essenciais para entender o que acontece ao desiludido... e entender é ter força, é manuseio, é controle! Estar acima de um problema é enxergá-lo de cima e, tão importante quanto, se enxergar de cima! O instinto vai contra tudo isso, é essencialmente caloroso, interno. Visão de momento, apenas naturalmente renovável. E por tudo isso, há de se aprender a separá-lo da parcialidade emocional frágil, incompleta, obscura e duvidosa. Pois ele, enquanto sistema operacional, exige um posicionamento incisivo, de mudança, de movimento e melhora!, ou então se põe a serviço do inseguro, e se volta contra o indivíduo, servindo de incentivo ao confuso, obstruindo o real desejo, pois mesmo isso pode se encontrar meio indecidido, sem saber no que se apoiar ou mesmo diferenciar o que se quer e o que se acha que quer...
Perigo, ao iludido, é o desejo vago. A indefinição da sua vontade é o atrofiamento do impulso, um sufocante golpe ao apetite verdadeiro, à vida intensa e levada ao extremo, ou mesmo à vida em si. É o abafo do mais puro e sincero sentimento que experimenta o ser humano: a fúria do querer! - e que o capricho da covardia, do pensar demais, assolando mesmo a intuição, reprime o próprio ser humano em prol de jogadas acanhadas, ajustadas ao mundo do outro, que se assemelham à suplicas para que dê certo, deixando o controle da sua quietação em mãos que não são suas. E este é o maior erro que se pode cometer, talvez o único - é um atentado à vida, à boa vivência, e mesmo à elevação do seu ser - que se subjuga, colocando-se em patamar de igualdade aos demais e assumindo assim não ter força, quando deveria agir com os modos de um animal, que se sujeita às linhas de sua programação e apenas faz! O homem nem sempre precisa agir como homem.
Mas esse último parágrafo é apenas uma ressalva. Pois se começa errado, termina errado. Não por superstição, mas pelo comportamento em vigor. O que divulgo como cura precisa de certeza. Essa é, de certa forma, a cura em si. Ela está em todas as etapas: a certeza de querer esquecer, de não mais querer, do se querer bem! O justo consigo é capaz, soberano, aprende a por fim ao que vai contra ele. E com isso, pouco chegará a se iludir - e não só por evitar criar expectativas (a única que se cumpre por inteiro é apenas a de si para si), mas também por saber lidar com as abatidas. Ele se enche de poder, não admite ser encostado, maltratado, pois ele próprio é o valor maior. E sua vontade se infiltra, e faz acontecer, não espera. Essa é a cura em sua definição teórica.
Esquecer não é um ato; é a ausência de um. O ato que asfixia e traz pesar é o de admitir querer esquecer. Ver à força, na resposta que tu recebeu, os sintomas que denigrem o seu pensar, aquele desejo ardente de querer amar, botar toda a ira, a luxúria, a sua paixão cega para fora! - e ser esbofeteado, puxado pelo pé de volta ao fundo, quando já chegava à superfície... e, tanto quanto lembrar dos teus sonhos - que afloram ao natural, e te era prazeroso enquanto tinha abertura para colocar tudo aquilo em forma, criar aquela sua realidade (não há nada melhor do que construir na realidade o que se tem por dentro!) - agora sofre em duas frentes: a de admitir que o desfecho planejado não mais tem valor e administrar o ainda querer, empurrando-o com força capenga e indecisa de volta à categoria de fantasia, simples fábula... admitir que eram todos personagens de história inventada, menos você, que sempre esteve sozinho, e isso agora lhe foi cuspido....
E tudo isso não passa de um assassinato de ideia. mas mesmo que não configure um crime, é tão difícil quanto o ilegal, pois em ambos a dificuldade é a de assumir frieza, e manter a posição gélida, de querer fazer não mais viver, e não apenas deixar de lado todos os sonhos construídos - eles são de natureza idealizada, logo fortes!, persistem com sua ideia, trazem ainda (malditos!) prazer, quando por um minuto se desliga da realidade... -, mas botá-los abaixo, implodir o teu próprio patrimônio, já que aquilo não é mais fértil e só atrapalha uma nova construção.
E quando ele surgir, com a tua decisão como armamento, se entregue ao impulso da indiferença, com a diferença de que é uma ação de ataque, desta vez, e não um desleixo. Não há redenção sem sofrimento, não se esquece sem admitir a morte com o seu sepultamento! Do contrário, a putrefação do corpo continua a trazer lembranças velhas, inúteis, do que se foi, do que não foi e do que não será, e acompanha ainda o mau cheiro característico do que está mal guardado. E é só disso que se trata! De morte, da privação de vida e vontade da sua ideia morta! Admitir o nunca mais - ver, falar, tocar, beijar, ouvir... imaginar tal ideia! Nada mais disso importa. Nada morto importa.
A única coisa que importa é a sua vida pulsante e as escolhas apaixonadas! E a ambição por mais, e mais, e mais, e mais... e quantos outros mais sem repetir, sem que isso sequer possa chegar perto [de chegar perto (DE CHEGAR PERTO!!)].....de esgotar a graça da vida. A própria vida em si é a maravilha!
Nada mais.
_________________________
Que peça engenhosa! Que maravilha de design!... de desenho do comportamento! Essa obra iniciada há um tempo que nenhum de nós tem a propriedade de imaginar: nosso senso de compreensão, esse que consome o que se desenvolve à nossa volta - o velho, o novo, o estático, o que se agita em desordem, o harmônico, os sons, as frequências, o que é quente e o que é frio, e tudo mais que nos arranca o desinteresse, a indiferença; esse senso que é despertado, excitado a cada milésimo de segundo, fazendo perder o próprio segundo o seu poder de unidade, de referência de pequeno. Pois se em tão minúscula definição de tempo, já se perde a conta de mundos visitados, ou condições experimentadas (e por que não grandiosas, mas fugitivas natas, que se perdem tão rapidamente quanto surgem), o que não se faz com minutos, horas?!... -, esse senso não conta com estrutura para entender a sua própria construção! Ele mesmo é construído pela auto digestão, que renova sua propriedade de reflexão, mudando o mundo que se vê, que retribui e muda ele, que o muda de volta, e depois é a vez do outro!... e fica nisso... para todo o seu sempre! Esse senso que não está ligado – ele é ligado – e independe de memória ou informação passada: ainda que no fundo seja apenas isso, ele atua no presente, e apenas ali, no espaço do iminente, do estalo! Ou nem se deva dizer que chega a um estalo, aparenta ser menor que ele... e talvez nem se misture ao tempo!; mas ao menor instante se aprimora, desses incontáveis que nós vivemos. Esse é o instinto!
Ora, mas e a cura, onde? Pois a cura, o trato das patologias, é o seu conhecer. O saber mais, a quebra incansável de todos os elementos, até que sobrem fragmentos, mas ordenados: o sopro de clareza que ajuda a se apossar do sentido do todo. A construção é a origem da evidência. E só se fala em evidência, em ter poder sobre ela, com o mínimo de trato minucioso, paciente. E esse instinto, e a maneira como se infiltra e domina, o seu modo de operação, são essenciais para entender o que acontece ao desiludido... e entender é ter força, é manuseio, é controle! Estar acima de um problema é enxergá-lo de cima e, tão importante quanto, se enxergar de cima! O instinto vai contra tudo isso, é essencialmente caloroso, interno. Visão de momento, apenas naturalmente renovável. E por tudo isso, há de se aprender a separá-lo da parcialidade emocional frágil, incompleta, obscura e duvidosa. Pois ele, enquanto sistema operacional, exige um posicionamento incisivo, de mudança, de movimento e melhora!, ou então se põe a serviço do inseguro, e se volta contra o indivíduo, servindo de incentivo ao confuso, obstruindo o real desejo, pois mesmo isso pode se encontrar meio indecidido, sem saber no que se apoiar ou mesmo diferenciar o que se quer e o que se acha que quer...
Perigo, ao iludido, é o desejo vago. A indefinição da sua vontade é o atrofiamento do impulso, um sufocante golpe ao apetite verdadeiro, à vida intensa e levada ao extremo, ou mesmo à vida em si. É o abafo do mais puro e sincero sentimento que experimenta o ser humano: a fúria do querer! - e que o capricho da covardia, do pensar demais, assolando mesmo a intuição, reprime o próprio ser humano em prol de jogadas acanhadas, ajustadas ao mundo do outro, que se assemelham à suplicas para que dê certo, deixando o controle da sua quietação em mãos que não são suas. E este é o maior erro que se pode cometer, talvez o único - é um atentado à vida, à boa vivência, e mesmo à elevação do seu ser - que se subjuga, colocando-se em patamar de igualdade aos demais e assumindo assim não ter força, quando deveria agir com os modos de um animal, que se sujeita às linhas de sua programação e apenas faz! O homem nem sempre precisa agir como homem.
Mas esse último parágrafo é apenas uma ressalva. Pois se começa errado, termina errado. Não por superstição, mas pelo comportamento em vigor. O que divulgo como cura precisa de certeza. Essa é, de certa forma, a cura em si. Ela está em todas as etapas: a certeza de querer esquecer, de não mais querer, do se querer bem! O justo consigo é capaz, soberano, aprende a por fim ao que vai contra ele. E com isso, pouco chegará a se iludir - e não só por evitar criar expectativas (a única que se cumpre por inteiro é apenas a de si para si), mas também por saber lidar com as abatidas. Ele se enche de poder, não admite ser encostado, maltratado, pois ele próprio é o valor maior. E sua vontade se infiltra, e faz acontecer, não espera. Essa é a cura em sua definição teórica.
Esquecer não é um ato; é a ausência de um. O ato que asfixia e traz pesar é o de admitir querer esquecer. Ver à força, na resposta que tu recebeu, os sintomas que denigrem o seu pensar, aquele desejo ardente de querer amar, botar toda a ira, a luxúria, a sua paixão cega para fora! - e ser esbofeteado, puxado pelo pé de volta ao fundo, quando já chegava à superfície... e, tanto quanto lembrar dos teus sonhos - que afloram ao natural, e te era prazeroso enquanto tinha abertura para colocar tudo aquilo em forma, criar aquela sua realidade (não há nada melhor do que construir na realidade o que se tem por dentro!) - agora sofre em duas frentes: a de admitir que o desfecho planejado não mais tem valor e administrar o ainda querer, empurrando-o com força capenga e indecisa de volta à categoria de fantasia, simples fábula... admitir que eram todos personagens de história inventada, menos você, que sempre esteve sozinho, e isso agora lhe foi cuspido....
E tudo isso não passa de um assassinato de ideia. mas mesmo que não configure um crime, é tão difícil quanto o ilegal, pois em ambos a dificuldade é a de assumir frieza, e manter a posição gélida, de querer fazer não mais viver, e não apenas deixar de lado todos os sonhos construídos - eles são de natureza idealizada, logo fortes!, persistem com sua ideia, trazem ainda (malditos!) prazer, quando por um minuto se desliga da realidade... -, mas botá-los abaixo, implodir o teu próprio patrimônio, já que aquilo não é mais fértil e só atrapalha uma nova construção.
E quando ele surgir, com a tua decisão como armamento, se entregue ao impulso da indiferença, com a diferença de que é uma ação de ataque, desta vez, e não um desleixo. Não há redenção sem sofrimento, não se esquece sem admitir a morte com o seu sepultamento! Do contrário, a putrefação do corpo continua a trazer lembranças velhas, inúteis, do que se foi, do que não foi e do que não será, e acompanha ainda o mau cheiro característico do que está mal guardado. E é só disso que se trata! De morte, da privação de vida e vontade da sua ideia morta! Admitir o nunca mais - ver, falar, tocar, beijar, ouvir... imaginar tal ideia! Nada mais disso importa. Nada morto importa.
A única coisa que importa é a sua vida pulsante e as escolhas apaixonadas! E a ambição por mais, e mais, e mais, e mais... e quantos outros mais sem repetir, sem que isso sequer possa chegar perto [de chegar perto (DE CHEGAR PERTO!!)].....de esgotar a graça da vida. A própria vida em si é a maravilha!
Nada mais.
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