segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Categórico!

Antes que seguisse em frente...
bate à porta o velho amigo
- pelo toque já se via.

e entra o rosto, indefinido,
junto ao fresco ar poente -
que, ao contrário, nos sorria.

tem em mim o que lhe serve
de armazém do que é sofrido,
após tanto, finalmente:
e é por isso que se escreve.

em bom trono acolchoado,
à minha frente assentou,
trouxe a perto umas cobertas,
ao seu rosto as mãos levou...

tinha as pernas muito incertas,
assim quando o frio acomete
mas, por julgo, eu diria
que seu corpo sacudia
pois a si tudo promete

não que nisso haja o errado:
salve o homem enfatizado!
mas que grife a si primeiro
pra que deixe longe o risco
das lambanças de um arisco
caso grave e corriqueiro

esse cego, conivente
com o ser idealizado,
no que enche suas lacunas
com um som doce e melado
e aperta tanto à pele
que não sai nem com arado

e digo


ainda hoje, junto à cama
no teu corpo que esparrama
vem tal voz, em tom de calma
e sua atenção reclama,

lhe evitando todo o sono

seu suspiro inconsequente!
dê descanso à sua mente
amanhã o dia é branco
e assim não vejo como!


da postura que retomo
dou-lhe um tapa, e da troveja,
levantou em um só pulo
e saímos para uma cerveja.

2 comentários:

  1. Gostei muito desta poesia, Vicente!
    Erika Pires

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  2. obrigado, Érika! Que bom te ver por aqui.

    O "coisas de papel" é um blog?

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